Mulheres em dobras
Galeria Anna Maria Niemeyer
Abertura às 20h
do dia 26 de setembro
Exposição de 26 de setembro
a 14 de outubro de 2006
Rua Marques de São Vicente,
52/205, Shopping da Gávea
Telefone: (21) 22399144
Esculturas
moles, de camadas de tecido opaco, quente, áspero, que desenha corpos
estruturados pela gravidade, de modo que os músculos se moldam no vazio das
dobras da pele; objetos compactos, que se propõem como rostos que invocam
outras faces menos imediatas, mais obscuras, menos nítidas, mutantes; corpos derramados
no chão, expondo-se languidamente, sem defesas. Essas seriam breves tentativas
de descrição dos trabalhos tridimensionais de Cristina Salgado, construídos com
tapete, tecido emborrachado e parafusos de aço inox, que estarão expostos na
Galeria Anna Maria Niemeyer a partir do dia 26 de setembro, e que recebem o
título geral de Mulheres em dobras,
mas que possuem títulos mais individualizados, como: Marias convulsionadas, Recostadas,
Rostos, Cabeludos
O material flexível
é fundamental: para estruturar dobras, pregas, franzidos, que conotam as
dobras, as pregas e os franzidos corporais. Mas esse mesmo material, que se
associa, em algumas peças, a um tecido como pele de urso ou tufo de pelos
negros, pode ser prensado, compactado. Nesse caso, o núcleo central, denso,
comprimido, é chamado de Rosto,
afirmando, pela relação de estranheza entre o título e a imagem, que rosto é
apenas um ponto de partida para a produção de significações possíveis e não
excludentes para essas imagens.
A cor é um
componente importante nessas esculturas. Obedecem, na maior parte das vezes, a
uma lógica das cores nos corpos: de carne, pele, músculos, mucosas, nervos,
pelos. Mas há o azul e o preto em algumas camadas corporais das esculturas, e
que podem ser cores de partes inacessíveis – certamente imaginárias.
Há também desenhos,
a série Cabeludos. São guaches em que
um tratamento minucioso com pincel fino busca a ilusão de fios e mechas de
cabelos. Esses desenhos se relacionam com os trabalhos tridimensionais por meio
da referência direta a organicidade e muito indireta, bastante sinuosa
mesmo, ao corpo.
De modo geral, os
trabalhos são independentes, mas a sua instalação no espaço da galeria procura
que todo esse espaço seja observado como sendo ocupado por um único trabalho.
Para Cristina
Salgado, seu trabalho nunca se desenvolveu por meio de rupturas, mas em uma
continuidade em que a presença do corpo é o fio condutor, sendo a estrutura
desse corpo sempre pensada como que em paralelo a um corpo emocional. Por outro
lado, a artista considera que o uso dos materiais flexíveis e sua possível
relação mimética com elementos do corpo humano – especialmente a pele – são
realmente um fato novo na sua produção. Os trabalhos presentes em Mulheres em dobras apresentam também uma
evidência da relação entre a materialidade e a estrutura obtida pela ação dos
parafusos e isso é bastante diferente do que aconteceu nos trabalhos expostos
em 2002, na sua última exposição na Galeria Anna Maria Niemeyer, Instantâneos, e na série Nuas, de 1999, apresentada no Paço
Imperial e na mesma galeria, talvez, aproximando-se mais dos trabalhos em ferro
produzidos nos anos 90 – Humanoinumano
e Meninas.
Fazem parte da
exposição Mulheres em dobras cerca de
quinze objetos tridimensionais, com dimensões que variam de 15cm a 160cm e
cinco desenhos, entre 30 x 25cm e 100 x 70cm.
Cristina Salgado
frequentou os ateliês de desenho e pintura de Roberto Magalhães e Rubens
Gerchman e as aulas de modelo-vivo de Astréia Al-Jaick na Escola de Artes
Visuais. É mestre em Comunicação e Cultura pela ECO / UFRJ e doutoranda em
Linguagens Visuais pela EBA / UFRJ. É professora no Instituto de Artes / UERJ e
no Departamento de Artes e Design / PUC-RJ. Atualmente participa das exposições
coletivas: Manobras Radicais, no CCBB
de São Paulo e Abrigo Poético – Diálogos
com Lygia Clark, no MAC de Niterói.
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MARIA 2 |
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