J.C.GOLDBERG - Esculturas


alumínio pintado e chumbo

Ser artista é uma escolha de vida que tem a sensibilidade e a percepção como pressupostos para a organização da linguagem mas, principalmente, é se permitir a plenitude da conciência.

Ser artista em um país como o nosso é se embrenhar nas plurais e heterogêneas condições culturais para assumir a função social mais árdua e incisiva para o produtor artístico: a de arte-educador.

Optar pela arte como forma de viver implica no compromisso com a criatividade e com o imaginário — de si e do outro — enquanto resgate intencional que tem como raiz o próprio homem. Ousar investir a emoção e a competência em um trabalho de arte-educação significa comprometer-se com a delicada condição sócio-político-econômico-cultural que vivemos. João Carlos Goldberg é um desses raríssimos artistas que vivencia essa experiência loucamente estimulante.

Ele é múltiplo, sem ser diifuso, ineficaz a tentativa de situá-lo sob um único prisma. Carrega a unicidade monolítica já conquistada e sempre redimensionada pelo novo. Ser sensível, constantemente se permite o processo de reflexão mas, especialmente, assume de forma integral a arte e, nesta perspectiva, enquanto produtor, dialeticamente se exerce como educador.

Este comprometimento com a função da arte na educação propicia a ampliação da sua produção artística. Capaz do exercício desafiante de potencializar no outro uma mudança qualitativa do ser, ele não se isenta, não se protege e não se omite do papel fundamental a ser assumido pelo artista frente à formação do indivíduo.

No tempo de minha emoção
você se
fez artista desde logo
quando filetes de madeira
trasnformados em estruturas
se misturavam às borboletas
da sua sensibilidade
— esse é o segredo das formas perfeitas:
leveza e mobilidade
No tempo da maturidade dos afetos
você se faz artista desde/para sempre
quando chumbo e feltro reescrevem,
com despojamento
as suas escolhas
— esse o mistério das suas criações:
densidade e ternura.
Permeando esses dois tempos,
um lento e árduo trabalho
onde o sensível, a percepção,
a consciência e o imaginário
formam insistentemente redimensionados
porque você se fez também arte-educador.
Reverencio o artista, o educador
por esses vinte anos do expor-se
mas, acima de tudo, reverencio VOCÊ.

 

Valéria Ribeiro Peixoto