Explicação
para o leitor
Esta série de cartas teve uma gênese curiosa e inesperada.
Em fevereiro de 2001, almoçando com Oscar Niemeyer em seu escritório,
ouvi a gravação do que poucos dias depois se tornaria uma entrevista
publicada em um caderno inteiro do Jornal do Brasil, e me encantei com
ela. Possivelmente, é aquela a de maior conteúdo filosófico
dentre as dezenas que ele concedeu à imprensa nos últimos anos.
Lidando com o pseudoconflito entre ética-humanismo e ateísmo-agnosticismo,
ela me fez, no ato, lembrar uma troca muito interessante de cartas programadas,
abertas, na imprensa italiana, entre Umberto Eco e um influente cardeal católico.
No dia seguinte, enviei-lhe o livro que editou tais cartas.
Comentar o livro foi tema obrigatório do almoço subseqüente
e , en-passant, conversamos sobre a edição preparada por minha
irmã, Flora Sussekind, da correspondência entre Carlos Drummond
de Andrade e João Cabral de Mello Neto. Aí foi a vez de Oscar,
no ato, lamentar não ter no passado mantido correspondência regular
com Joaquim Cardozo, poeta, dramaturgo, intelectual brilhante e grande calculista
e amigo. Num impulso, ele me propôs trocarmos cartas acerca dos temas
(sua arquitetura e minha engenharia) em que, há mais de 30 anos, vimos
trabalhando juntos. Em outras palavras, sua proposta foi a de exercitar, comigo
o registro escrito que poderia ( e deveria) ter sido feito entre ele e Cardozo,
50 anos atrás.
Em seguida, enviei-lhe a primeira carta, e da seqüência resultou
este livro.
José
Carlos Sussekind