| ( arte3 ) ARTE AO CUBO Uma receita para um bom e sempre original texto sobre arte tem que necessariamente aludir, em seu bojo, a pensadores fundamentais.O que seria desse texto se não tocasse no mito da caverna, na reprodutibilidade técnica ? É forçoso citar Foucault, Deleuze, um pouco de Freud, muito Lacan e Derrida (quem não sabe o que é desconstrução ? quem tem medo da différance ?). E a sociedade do espetáculo. Baudelaire, Barthes e todos os Bergs. Argan. Husserl e Merleau- Ponty. Todos os franceses, todos mesmo.Nietzsche.Alguns Adornos como eventualmente Bourdieu e Wittgenstein podem acrescentar alguma elegância. Os analíticos, de um modo geral, podem ser dispensáveis. João Magalhães*, fevereiro de 2009 * curador da exposição ( arte3 ), é artista plástico e, desde 1993, é professor de pintura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage [EAV-Parque Lage]. |
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ALESSANDRO SARTORE Eu bebo porque é líquido, se fosse sólido eu comeria! É a resposta do bêbado. Acho que cabe para pintura, não porque pintar seja uma cachaça, longe disso, pintura é imagem e não palavra ou número. Criar e resolver problemas pela imagem, acho que é isso. Mesmo com vários outros meios, a pintura ainda é referência. Não como a nobre Arte, mas porque ela está presente. Quantas vezes ouvi: Que vídeo!Até parece pintura! E realmente é. É esse campo ampliado, que me interessa. Ampliar, reduzir, potencializar, a pintura serve como meio mais imediato, direto, é já tão impregnado de tudo (foto,vídeo,objeto, etc.) que mesmo quando reduzido quase a nada, só tela e tinta, tem um poder de reverberar quase que infinitamente. Criar e tentar resolver problemas pela pintura, não só de pintura, é uma armadilha extremamente atraente. É como mosca na teia, pode não ser aparentemente nada mas ela está lá. Pinto porque é imagem, se fosse palavra escreveria! |
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BET KATONA |
FELIPE FERNADES Eu pinto por um pouco de egoísmo. Pinto qualquer cena que eu possa tornar mais interessante, ideal. Altero seu sentido pra algo que me entretenha ou possa causar estranhamento. No geral, escolho cenas que me comovem, mas que nunca deixo de evitar que se tornem ridículas ao final do processo. |
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JIMSON VILELA Pinto, pois, para mim, a pintura é a linguagem mais complexa para se estabelecer uma poética, talvez seja a que mais exija do artista uma conjugação, equilibrada, entre a prática e a teoria (forma e conceito). A pintura tem suas verdades, dizia Matisse. Além disso, a possibilidade de dialogar com mais de dois mil anos de história da pintura, de repertórios da pintura, e, principalmente, da história da imagem; e a partir disso criar saídas e possibilidades para um trabalho me interessa. Gosto de ser exigido de um trabalho, e de fazer deste algo vivo e perturbador para o observador. Minhas paisagens possuem isso, uma inquietação sobre a visualidade no contemporâneo. Pintar hoje, para mim, é desafiar a lógica de uma sociedade firmada na rápida criação de imagens que mediam nossas relações. |
RAUL LEAL Citando Peter Doig, a pintura atualmente é uma coisa que se você pensar muito você simplesmente não faz. O quê levaria um artista contemporâneo a investir trabalho e conhecimento num meio que tem sido sistematicamente declarado morto desde fins do século XIX? Talvez seja por teimosia que insistimos em continuar pintando numa época em que, a cada dia, surgem meios mais e mais sofisticados de produção de imagens. Soma-se a isso o enorme desafio de inserir o trabalho de pintura nos processos que regem a sociedade contemporânea e nas questões filosóficas e conceituais da arte atual.Enfim, pinto porquê é o meu modo de me relacionar com as questões impostas pelo mundo que me cerca, porquê a pluralidade do meio artístico atual permite que ainda existam pintores, porquê encontro na pintura uma espécie de sublimação das minhas angústias e inquietações e porquê tenho uma enorme paixão por essa atividade |
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VIRGINIA PAIVA Por vontade de descobrir. Por hábito, que foi virando compulsão. Por prazer. Por obrigação. É a minha maneira de me transubstanciar. Toda criança - que disponha desses meios e de algum incentivo - já moldou suas massinhas, já segurou deliciosamente canhestra um lápis-cera, já cravou no papel suas casinhas, sóis, flores, famílias, coelhos e pássaros; se posso confiar em minha já combalida memória, lembro da descoberta que foi converter o papel em cartola de mágico e assim poder me exibir para o mundo, conversar com ele.Hoje posso até inventar que com a pintura, com as histórias que conto através dela, com a prazerosa lambança com as cores, com a descoberta de outros colegas de ofício bem maiores que eu - estaria fugindo da náusea sartreana e afirmando minha frágil humanidade num mundo absurdo. Mas prefiro dizer que não cresci: tudo o que eu quero é não deixar de ser criança. |
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