Texto esculturas

Gosto dos velhos mestres, mas também dos trabalhos de Moore, da pureza de Brancusi, das belas mulheres de Despiau e Maillol, das esculturas gregas e egípcias, da Vitória de Samotrácia, toda feita de beleza e movimento. Até as esguias figuras de Giacometti, que, confesso, não me atraíam, passei a admirar, quando vi uma delas, sozinha, monumental, num grande salão de Bruxelas.

Lembro-me da manhã em que meu amigo Honório Peçanha me procurou, insistindo para que eu fizesse escultura, trazendo-me um quadrado de madeira, um grande prego e um saco de gesso. Prometi-lhe experimentar, o que nunca fiz.
Mas tudo mudou naquele dia em que no meu escritório mostrava ao Maurício Bentes e ao Rômulo Dantas alguns estudos de escultura que desenhara, e este último, empolgado, propôs: “Vamos fazer essas esculturas, que eu financio.” Rimos, e ainda de brincadeira falei: “Estou de acordo. Pode mandar executá-las.” E a brincadeira se fez realidade.

Dias depois, em Niterói, as encontrei prontas, enormes, com seis e cinco metros de altura, metálicas e abstratas como as concebera, às vezes completadas em arame com os croquis que desenhara. A minha resistência fora vencida, eu, sem querer, fazendo-me escultor.

Mas no local onde foram realizadas era impossível escondê-las, e os que as viam delas pareciam gostar. Até um curador de um museu de artes em Nova York, Luís R. Cancel, foi conhecê-las, sugerindo entusiasmado: “Deveríamos levá-las para os Estados Unidos”.

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